27 de novembro de 2013

O começo.

  "Vem aqui sua vagabunda!"
  Era assim que eu era tratada todos os dias por o velho infame que se dizia meu pai.

  A sociedade que eu vivo é bem diferente da que você deve viver, eu vivo no tempo antes de Pandora, antes da grande revolução que salvou todos.
  Meu nome era Simone, sim, era. Deixei de ser ela quando um evento particularmente interessante ocorreu na minha vida, um evento que me fez desligar o passado que sempre me tornou inferior.
  Eu tinha 15 anos na época.

  - Vem aqui sua vagabunda!
  Meu pai era um velho de hábitos nojentos. Um homem de meia idade, mal vestido, fedido, grosso, violento, como a maioria dos homens dessa cidade.
  Ele só sabia me tratar desta maneira, eramos apenas nós, na verdade era apenas ele. Eu vivia em sua sombra, sendo apenas uma escrava, tanto doméstica quanto sexual.
  Eu baixei o fogo, retirei o avental, baixei minha cabeça e fui em direção a sala.
  - Sim papai?
  - Ajoelhe-se na minha frente. - Disse ele, secamente.
  Ele estava sentado lendo jornal, após a ordem ele começou a abrir a calça e a arria-la. O pênis dele ficou a mostra, a coisa que eu costumava a chamar de "monstro de carne", que me machucava durante a noite, que tirava meus sonhos e arrancava lágrimas de meus olhos. Uma ferramenta do próprio mal.
  - Mas estou fazendo o almoço. - Eu disse, começando a chorar.
  - Não chore, sua putinha. Eu fiz você, sou seu dono, você vai me servir quando eu mandar, você vai falar quando eu mandar, você não dá um passo sem a minha autorização, neste momento eu estou mandando você ajoelhar-se, pagar aquele boquete gostoso, que só você e sua mãe sabem fazer, e é isso que você fará.
  Eu sabia que não adiantava, por mais que eu tentasse, por mais que eu quisesse, aquilo nunca teria um fim. Então me dirigi a ele, ajoelhei-me e coloquei o monstro de carne em minha boca. Meu pai pegava meus cabelos e fazia movimentos repetidos de ir para cima e depois para baixo, fazendo o monstro entrar e sair de minha boca. Eu estava fazendo oral em meu pai, na sociedade destruída em que eu vivia isso era algo comum e se o vizinho descobrisse isso, provavelmente ele e meu pai iriam conversar sobre como é o oral que suas filhas fazem neles.
  Enquanto eu era subjugada, ele gemia cada vez mais, até que de repente ele me levantou, rasgou a calça que eu tava, arrancou minha calcinha e fez eu sentar no monstro de carne, eu comecei a gritar de dor e ele começou a gemer.
  - Vai putinha, vai! Manda ver! Assim que o papai gosta! Grita pro papai!
  A dor era horrível, eu já não aguentava mais isso, eu estava cansada, aquilo ia terminar, tinha que terminar.
  Eu parei de gritar e comecei a gemer e pedir por mais e mais forte, comecei a rebolar e fazer tudo que os homens falavam que gostavam e de repente eu parei.
  Meu pai ficou perdido, não sabia direito o que estava acontecendo. Eu me levantei e peguei na mão dele, puxando ele e o fazendo levantar.
  - Vem papai, vem. Sua filhinha vai ter um cuidado especial com você, hoje.
  Nós fomos até a cozinha, eu me abaixei, ficando com o corpo em um ângulo de noventa graus. Ele entendeu na hora e não perdeu tempo, se nenhuma cerimônia ou carinho, enfiou o monstro em mim, se movimentando para frente e para trás sem parar.
  Meus movimentos foram claros e frios. Eu aumentei o fogo que estava esquentando o óleo até começar aquele barulho de fritura, quando ele começou a gemer mais alto, percebi que o momento tinha chego, ele ia ter seu último momento de prazer. Quando veio o último gemido de prazer e ele se afastou de mim e sentando na cadeira que estava atrás, eu fui rápida e certeira. Pequei a frigideira e arremessei o óleo sobre o rosto dele, fazendo ele gritar de dor e enquanto ele gritava e se debatia no chão, eu o espancava com a frigideira, como toda a minha força e ódio.
  Depois que ele parou de se mexer, eu joguei a panela no chão e comecei a chorar, muito. Chorei por estar livre, chorei porque havia me tornado uma assassina, chorei pela dor por causa das queimaduras em minhas mãos. Quando eu parei de chorar, me dei conta que deveria sumir dali e nunca mais voltar, deveria esquecer quem eu era, meu nome, minha família, tudo. Simplesmente deixar de existir.
  Agora eu era outra pessoa e uma raiva crescia dentro de mim, uma ira descontrolada contra toda essa sociedade, todo esse mundo. Eu decidi abalar todos os pilares, matar se for preciso, demolir se for preciso, fazer qualquer coisa ao meu alcance para que outras pessoas não tenham a mesma vida que eu tive.
  Eu apenas precisava de um nome novo, um nome que ecoasse na mente das pessoas, um nome que significasse todos os medos dessa sociedade, um nome que seria a morada desses medos, mas que além desses medos, existisse a esperança.
  "Ao abrir uma caixa enviada como presente, espalhou todas as desgraças sobre a humanidade, restando dentro dela somente a ilusória esperança."
  Desta vez não é ilusão, desta vez é revolução.Faz quatro anos que isso aconteceu e há quatro anos eu sou uma assassina procurada e sentenciada a morte.
  Meu nome é Pandora.

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